Uma vez, quase me fizeram crer que azul era a cor dos dias. De manhã à tarde, o céu era sempre azul claro: límpido, sem quaisquer brancos ou cinzentos a manchar-lhe a tão imensa luminosidade. Nem ao cair a noite, quando seria de esperar que tudo escurecesse, isso se perdia. Até era bonito de se ver, sabes? Tantas, imensas estrelas a cintilar, envolvidas por um manto azul escuro.
Mas os dias acabavam sem eu me aperceber. Via sempre tudo da mesma maneira, de manhã à noite, e esqueci-me de pensar nas coisas do princípio ao fim. Então, vi-o partir para Inglaterra. Foi atrás de outro sonho que lhe tirasse o sono, que lhe permitisse apreciar, de novo, o horizonte. Senti-me triste. Azul, sabes? Em inglês dizem que é essa a cor com que se fica quando se está triste.
Peço-te: não me deixes azul. Quero conhecer, contigo, todas as tonalidades que tem o mundo.
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