sábado, 5 de abril de 2014

05. Água

São amores que, de tão comovidos, ameaçam saltar dos olhos apaixonados cá para fora - para o mundo, para toda a gente ver. Depois, é o roçar de peles onde, sem dares por isso, és concebido por entre gotas de suor. Cresces dentro de um saco cheio de água durante nove meses que parecem ora uma eternidade, ora um par de momentos fugazes. Nasces a chorar e, quem te ama, quase se esquece do cansaço, da fome, da sede - só para poder olhar para e por ti, só por mais um pouco. Vais crescendo e, mesmo que tenhas olhos castanhos, derretes-te se te recitam poemas que dizem que eles são tão profundos como o tom do mar. Às tantas, também tu escreves sobre um grande amor. Mas ele passa a correr. É igual a tantos outros rios que te rasgam as paisagens. Até que, um dia, dás por ti a olhar a vida de maneira diferente e descobres um rio que se prolonga. E, nessa altura, são amores que, de tão comovidos, ameaçam saltar dos olhos apaixonados cá para fora - para o mundo, para toda a gente ver. Tal como tu viste. Queres percurso mais transparente do que este?

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