quinta-feira, 13 de março de 2014

"o primeiro amor nunca se esquece". parcialmente correto, meus caros, e estupidamente sobrevalorizado. nunca se esquece nenhum amor. nem um. tenha vindo na ordem que veio e que bem lhe tenha dado na gana. este era um ponto.
outro, era sobre esta mania de demarcar uma e outra vez, sem parar, em cada passagem, texto, livro, conversa, enfim, o primeiro amor como o derradeiro, o mais intenso, o único, o especial, o que é para durar a vida toda. já irrita. é só uma ideia pop e muito, muito pobre, potencialmente embrutecedora quando levada muito a sério. o impacto do primeiro amor resume-se à surpresa de sentir coisas que nunca antes se havia sentido dentro de nós, em relação a um outro ser humano. a força da coisa não vai além disso. dificilmente vai ser o melhor amor da vida de alguém, aquele ideal e tal que nunca se esquece, pelo qual se fica agarrado até ao fim dos dias, passe o tempo que passar. deus ma livre. vão ver, vão ver que, depois de terem vivido mais do que um amor, os que estão para trás mudam na relevância que têm: não na que tiveram no passado, essa fica intacta na nossa consciência e continuará a ter todo o reconhecimento que lhe é devido. mas na do presente. se em vez do primeiro amor falássemos do último, então estávamos bem. era isto.

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