domingo, 30 de março de 2014

Dos poemas que dizem tudo sem dizer

"Eu quero escrever-te.
Escrever para te ler
para voltar a ti quando me apetecer
quando estiveres na tua vida que não tenho
entretida em coisas que não conheço
na superfície que a profundidade de nós não alcança
como fundo do mar que não vê o sol.
Para quando dormires como ontem.
Para quando os deuses não conspirarem a nosso favor.
Para quando o potencial de felicidade de afligir
ou fugires de nós, se tiveres coragem. Não tenhas!
Penso nisso, sabes.
E conspiro com os deuses para seres tão fraca quanto forte
Não é de ti esta imperfeição das palavras,
o sentido que fazem é menor do que o sentido que têm.
Eu quero escrever-te
para te esconder em mim
para te ver ontem, o resto da minha vida.
O nosso ontem [...]"



- "O nosso ontem!"
por Daniel Oliveira, in A Persistência da Memória

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