há vezes em que parecemos vazios de tão cheios.
há vezes em que o copo quase que podia transbordar até ao fim, até não sobrar qualquer gota. mas tudo o que verte é só o que está ao cimo. não se consegue ir além disso.
e depois? depois parecemos vazios. porque não dá para ir mais fundo. não dá para dar mais de nós. certos limites não o permitem. aqui, os do copo. mas só aqui. por mero recurso estilístico.
tenho um copo cheio de lágrimas.
e uma tempestade também. uma verdadeira tempestade num copo de água. tão grande, que deixa um vazio por onde passa.
mas as tempestades têm um fim, não é?
o vazio tem um fim? não sei, às vezes não parece ter. depende da perspetiva.
mas a tempestade não é um vazio. é cheia. talvez se possa terminar.
como quem bebe um copo de água.
ou talvez eu possa, com a minha própria mão, virar o copo ao contrário.
Sem comentários:
Enviar um comentário