quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Novas Bússolas


Havia qualquer coisa em mim que eu (achava que) perdi: esse ramo de flores que transportava sempre (nem que num recanto meu) desde que me lembro de mim sendo eu - sendo toda. Então, pensei que não me tinha. Pensei-me abandonada por mim própria no vazio; no limbo; em alto mar sem terra à vista; perdida. Curioso como, por não vermos algumas peças que nos compõem, achamos logo que o puzzle deixa de ser puzzle - que já não tem graça, que não dá mais para completar. Puros enganos, pois não é a visão a juíza suprema do que existe ou deixa de existir. Não é aquilo que os nossos olhos abarcam que faz toda a embarcação. Não é por não estar lá, escarrapachadinho à nossa frente, que não é possível nem há mais. Se calhar, temos de procurar melhor. Se calhar, temos de remar para outros lugares. Se calhar, basta dar tempo ao tempo e tentar outra vez num outro dia - num dia melhor, com mais sol ou com uma mantinha e um chá à mão porque a chuva lá fora. Se calhar, saltámos (simplesmente) os parêntesis e assumimos apenas o óbvio e mais comum. Se calhar... Falta-nos (só) dizer mais se calhar.